Alemanha, 2008. A superação dos
regimes nazi-facista estão nos simples compostos do dia-a-dia nas cidades. Mas
quem diria que com um orçamento de cinco milhões de euros, um avô nazista, e um
experimento social real na Califórnia, colocaria em discussão a sociedade como
massa de manobra?! Dennis Gansel é o responsável por isto e trouxe no ano
referido, no início do texto, um filme surpreendente, Die Welle, ou em
português, A Onda.
Tudo começa com um simples
questionamento na aula de autocracia, na escola de ensino médio, onde o
professor Rainer Wenger leciona. Seria mesmo impossível haver resistência na
subordinação da sociedade atual, supostamente mais esclarecida, em relação a
regimes extremistas, ditatoriais? A resposta se faz através de um exemplo com
os próprios alunos. Primeiro cria-se a identificação como nome, símbolo e uniforme
(somente roupas brancas), o professor também mostra que através de uma marcha
eles podem se sentir partes de uma mesma entidade. A partir disto, as reações
comportamentais se modificam lentamente, seguindo o exemplo da menina que se
veste de vermelho enquanto todos estão de branco... sem nenhuma exceção, todos
excluem-na dos círculos de conversa. Mas as coisas tomam proporções
inimagináveis.
Com duração aproximada de 1h
50min, o filme raramente deixa de prender a atenção do espectador. Vale
ressaltar que o tom da iluminação do filme, varia do início ao fim, de acordo
com a gravidade das situações. Primeiro um lugar iluminado e gradualmente vai
escurecendo até o desmembramento do grupo. O grande “x” do filme está nos
jovens que são os mais sensíveis ao bombardeio ideológico. Merece maior
atenção, Tim – interpretado por Frederick Lau, um dos estudantes que possui
maior envolvimento com a ideia, pois pela primeira vez se sente aceito por um
grupo. O ator foi premiado com o Deutscher Filmpreis (premiação do cinema alemão).
Como na maioria dos casos, filmes
interessantes possuem histórias mais interessantes ainda por detrás das
câmeras. “A Onda” está baseado no caso “Third Wave”, um experimento usado pelo
professor Ron Jones em Palo Alto, na Califórnia. E não por menos interessante,
o avô do cineasta era nazista, então somente assim ele conseguiu perceber que a
alma desses regimes estava apoiada na sedução, persuasão.
Vale conferir!
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